O MAnGve-i9 é um Modelo de Governança e Gestão para Inovação (MAnGve for Innovation Governance & Management), desenvolvido pelo Agile Governance Research Lab (AGRLab) sediado no Departamento de Ciências Administrativas (DCA), do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA), da Universidade Federal de Pernambuco (DCA-UFPE), sob a coordenação do Professor Alexandre Luna. O MAnGve-i9, ou simplesmente Mi9, foi originalmente desenvolvido no âmbito da Célula de Governança e Gestão do Projeto de Pesquisa "Big Data Analytics: Enfrentamento do Coronavírus na Rede Federal de Educação", no contexto do Ecossistema de Inovação Data Science Brasil (DSBR).
O Mi9 é resultado de ciclos iterativos e incrementais de design, avaliação e refinamento utilizando a abordagem de Design Science Research (DSR) (Hevner & Chatterjee, 2012), visando apresentar uma solução razoável para a classe de problemas, que denominamos: “governança e gestão em ambientes de CT&I”. Para as quais uma solução genérica seria a aplicação de “instrumentos para auxílio à governança e gestão da inovação em ambientes onde a ciência, a tecnologia e a inovação (CT&I) são elementos fundamentais para o desenvolvimento, o crescimento econômico, a geração de emprego e renda e a democratização de oportunidades” (MCT, 2007). Embora os problemas específicos possam variar conforme a questão a ser enfrentada por cada ambiente onde tais instrumentos sejam aplicados, espera-se que as soluções propostas para uma determinada "classe de problemas" devam produzir uma resposta satisfatória quando aplicadas a problemas específicos dessa mesma classe, permitindo que essa solução seja "generalizável" no contexto da classe em questão.
Os ciclos de Relevância, Design e Rigor do DSR foram empregados em sucessivos estudos envolvendo revisão da literatura, entrevistas semiestruturadas com os membros DSBR e especialistas na temática, sessões de grupo focal com os membros DSBR, e estudo de caso configurado a partir do piloto de sua aplicação no contexto de um dos projetos do Ecossistema DSBR (em andamento).
A primeira versão do corpo de conhecimento do Mi9 está disponível neste site oficial (https://mi9.mangve.org/), em constante aprimoramento, e tem como principais influências o MAnGve (LUNA, 2011), o Design Thinking (Brown, 2008), e o Design Science Research (Hevner & Chatterjee, 2012). A abordagem resultante traz como principais características:
Concepção de um Modelo de Ciclo de Vida (MCV) híbrido e flexível, tomando por base o MCV do MAnGve, combinado com os elementos do MCV de Design Thinking, sob os critérios de Relevância, Design e Rigor do Design Science Research.
Utilização dos elementos da Agile Governance Theory (AGT) (Luna, Marinho & Moura, 2020), para sistematizar, descrever e analisar os fenômenos relacionados à governança e gestão em ambientes competitivos e turbulentos, e consequentemente apoiar o processo de tomada de decisão nesses cenários desafiadores.
Adoção de alegorias culturais relacionadas aos papéis, conceitos e terminologias empregadas no MAnGve, para facilitar o processo de assimilação do Mi9, e consequente construção de uma cultura organizacional apreciativa.
Sistematização de um fluxo de trabalho ágil para o time, procurando conduzir os processos e subprocessos em ciclos fluídos, complementares e harmônicos de colaboração coordenada, numa engrenagem flexível, adaptável e consistente.
Adoção das boas práticas ágeis e das práticas de abordagem adaptativa do MAnGve para orientar as lideranças e auxiliar no desenvolvimento dos times.
Emprego e adaptação da abordagem adaptativa MAnGve para ajudar o time a lidar melhor com o ciclo de vida da mudança.
Instruções detalhadas para auxiliar os times por onde começar, o que adaptar e o que priorizar.
Espera-se que o MAnGve-i9 possa ser escalonado para aplicação em projetos, programas, portfólios ou mesmo Ecossistemas de desenvolvimento tecnológico e inovação. Mas para assegurar essa escalabilidade novos estudos precisam ser realizados.
Deseja-se que o MAnGve-i9 possa proporcionar aos times fluidez e agilidade, refletidas por boas práticas de Governança Ágil, resultantes da construção de uma cultura de engajamento, colaboração e constante aprendizado.
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AGRLab (2021). The Agile Governance Research Lab - Website. Disponível em: <http://lab.agilegovernance.org>. Acesso em: 30/07/2021.
Brown, T. (2008). Design Thinking. Harvard Business Review, 86(6), 84.
Business Process Incubator (2021). BPM Glossary. Disponível em: <https://www.businessprocessglossary.com/> Acesso em 10/05/2021.
Creswell, J. W. (2009). Research design: Qualitative, Quantitative, and Mixed Methods Approaches (Third Edit). Los Angeles, US: SAGE Publications Inc.
Hevner, A. R., & Chatterjee, S. (2012). Design Science in Information Systems. Springer (Vol. 28). https://doi.org/10.1007/978-1-4419-6108-2
IDEO Design Thinking (2021). Design Thinking defined. Disponível em: <https://designthinking.ideo.com/>. Acesso em 10/05/2021.
Luna, A. J. H. de O., Kruchten, P., Riccio, E. L., & Moura, H. P. de. (2016). Foundations for an Agile Governance Manifesto: a bridge for business agility. In V. T. Nagawa (Ed.), 13th International Conference on Management of Technology and Information Systems. São Paulo, SP, Brasil: FEA-USP.
Luna, A. J. H. de O. (2011). MAnGve: Implantando Governança Ágil. 1ª. Edição. Rio de Janeiro – RJ. Editora BRASPORT, publicado em: 09 de novembro de 2011, 384 páginas. ISBN: 9788574524900. Disponível em:<http://www.brasport.com.br/negocios/governanca/implantando-governanca-agil-mangve/ >.
Luna, A. J. H. de O., Marinho, M. L. M., & Moura, H. P. de. (2020). Agile Governance Theory: operationalization. Innovations in Systems and Software Engineering, 16(3), 44. https://doi.org/10.1007/s11334-019-00345-3
MAnGve (2009). Portal do Movimento de Fomento à Governança Ágil. Disponível em: <http://www.mangve.org>. Acesso em: 12/05/2021.
MCT (2007). PACTI - Plano de Ação 2007-2010: Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional, elaborado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
Object Management Group (2021). Business Process Model and Notation (BPMN) . Disponível em: <https://www.omg.org/spec/BPMN/2.0> Acesso em 10/05/2021.
OECD/Eurostat (2018), Oslo Manual 2018: Guidelines for Collecting, Reporting and Using Data on Innovation 4th Edition, The Measurement of Scientific, Tecnologcal and Innovation Activities, OECD Publishing, Paris/Eirostat, Luxembourg. Disponível em <https://antigo.mctic.gov.br/mctic/export/sites/institucional/indicadores/detalhe/Manuais/OCDE-Manual-de-Oslo-4-edicao-em-ingles.pdf> Acesso em 06/09/2021.